Protesto em Vitória da Conquista denuncia fechamento da Casa do Estudante Quilombola Dandara dos Palmares e cobra políticas e investimentos para permanência

A Adusb se somou a movimentos sociais, entidades do movimento negro, estudantes e organizações populares e, na manhã de sexta-feira, 9 de janeiro, participou de um protesto na Praça 9 de Novembro, no centro de Vitória da Conquista, contra o fechamento da Casa do Estudante Quilombola Dandara dos Palmares. O ato reuniu dezenas de manifestantes e denunciou mais um ataque às comunidades quilombolas quanto à falta de  políticas públicas de educação voltadas à população quilombola no município.

A presidenta da Adusb, Iracema Lima, em seu momento de fala, lembrou que “historicamente, a população negra neste país teve que lutar para sobreviver. Hoje, luta não só pelo existir, mas também para resistir a qualquer ataque à nossa cultura, aos nossos povos. É necessário que os poderes públicos cumpram com obrigações constitucionais,  que política de permanência na educação superior não compete apenas à universidade, mas que é necessário que as demais instituições de poder sejam co-partícipes desta responsabilidade. é necessário que a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e que o Legislativo, as/os vereadoras/es assegurem a permanência, a existência e a continuidade da Casa dos Estudantes Quilombolas, um equipamento fundamental para que alunas e alunos possam vir, morar e estudar aqui em Vitória da Conquista”.

O protesto destacou a importância da permanência estudantil como condição fundamental para que jovens quilombolas consigam concluir a formação universitária. Representantes de comunidades tradicionais, estudantes afetados pela medida e lideranças sindicais denuncia o caráter racista, excludente e de segregação racial da decisão da Prefeitura.

Durante o ato, as falas ressaltaram que o fechamento da Casa do Estudante Quilombola, ocorrido em 5 de dezembro de 2025, não é um fato isolado. A medida se insere em um contexto mais amplo de desmonte das políticas educacionais voltadas às populações do campo e quilombolas em Vitória da Conquista.

“Estamos aqui para dizer que essa situação se intensifica e rompe a possibilidade do nosso povo acessar o ensino superior. O fechamento dessa casa não é uma intenção técnica, tem um caráter político. Eles alegam que é por falta de documentação e irregularidades nos documentos apresentados pela casa, mas isso é mentira. É o nosso povo que não teve acesso à educação, que abre uma biblioteca comunitária, é o nosso povo que passa fome e que faz uma sopa para todo mundo do bairro comer, enquanto o poder público não assume a sua responsabilidade. Nós não aceitamos essa situação de forma silenciosa, de forma calada. Convocamos toda a população de Vitória da Conquista para se juntar a nós nessa luta, que não começou hoje, não vai terminar nesse ato, seguiremos articulados com ações contínuas para pressionar a prefeitura para que essa decisão seja modificada”, disse Letícia Figueredo, coordenadora do Movimento Negro Unificado.

Ao final do ato, as/os participantes reafirmaram que investir em educação quilombola não é favor, mas obrigação constitucional e parte de um processo de reparação histórica.  A defesa da Casa do Estudante Quilombola Dandara dos Palmares foi apresentada como símbolo da luta por justiça social, combate ao racismo estrutural e garantia do direito à educação pública, gratuita e de qualidade e, sobretudo antirracista.

“Muitos dos jovens, a partir da política de cotas, tornaram-se os primeiros ou as primeiras a ter a educação superior nas suas famílias. E a partir delas, foram construindo correntes que fortaleceram laços e mudaram os cenários, que parecia não ter outros horizontes. A Adusb cumprirá o seu papel enquanto um sindicato classista de apoiar o movimento que está sendo construído pela resistência, para que a gente avance em políticas que de fato impeçam a garantia  dos direitos que têm sido impostas. Política de reparação não é favor, política de reparação não é nenhuma gentileza, é obrigação”, destaca Iracema Lima.