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02/02/2010 16:15:26  

CONLUTAS no Fórum Social Mundial em Salvador

De 29 a 31 de janeiro aconteceu o Fórum Social Mundial Temático da Bahia em Salvador. Nesta edição, vimos um fórum oficial patrocinado pelos governos, no qual, os pricinpais personagens eram os ministros e chefes de Estado.Em contraponto as atividades governistas, a CONLUTAS promoveu uma série de atividades alternativas como a reunião nacional da Conlutas,  plenária sobre a reorganização sindical, ato e debate sobre o Haiti e oficinas de combate á opressão. O Diretor da ADUNEB, Edson Carvalho, e  o ex Diretor, Abraão Félix, estiveram presente nas atividades durante os três dias do Fórum.

Reunião Nacional da Conlutas discute campanha de solidariedade ao Haiti e reorganização sindical

No dia 29 de janeiro, a participação da CONLUTAS no FSM Temático da Bahia foi iniciada com a reunião nacional da central. A campanha em solidariedade ao Haiti, o congresso da CONLUTAS e o Congresso Nacional da Classe Trabalhadorea que poderá fundar uma nova central foram os principais temas debatidos. Cerca de 270 participantes (216 delegados e 54 observadores) tomaram grande parte do ginásio da UCSAL - Federação.

Solidariedade de classe:
A reunião teve início com a solidariedade de classe aos trabalhadores do Haiti. O haitiano e ativista Frank Seguy e o estudante da Unicamp que testemunhou o terremoto, Otávio Calegari, deram depoimentos do que ocorre hoje no país ocupado e o real objetivo das tropas de ocupação.
Diante dos últimos acontecimentos no país, com o terremoto que devastou a capital e matou mais de 100 mil haitianos, e da ocupação militar que reprimi o povo haitiano há 6 anos, a conlutas lançou uma campanha de solidariedade financeira às organizações de trabalhadores no Haiti e reforçou a campanha pela retirada das tropas da ONU. Diversas entidades filiadas à Conlutas já contribuiram superando expectativas: em pouco mais de uma semana de campanha foram arrecadados 200 mil reais para as organizações dos trabalhadores no Haiti.

Debate sobre reorganização e preparação dos congressos

A reunião girou em torno da discussão sobre a preparação para o Congresso da  Conlutas e o Congresso Nacional da Classe Trabalhadora que poderá fundar uma nova central, ambos em junho, que juntos definirão o futuro do processo de reorganização sindical no país. A proposta da Secretaria Executiva Nacional (SEN) é utilizar os mesmos critérios para a organização dos congressos, como a eleição de delegados e a participação de entidades e movimentos. Além disso, discutiu-se a importância da proximidade das datas para a realização dos dois eventos com o intuito de facilitar a logística e reduzir os gastos financeiros.

Ato em Solidariedade ao Haiti reuniu 800 pessoas nas ruas de Salvador: "Lula, preste atenção, solidariedade não é ocupação"

Ainda no primeiro dia do FSM Temático da Bahia, cerca de 800 pessoas se reuniram na praça do Campo Grande e caminharam até a Praça da Piedade em solidariedade ao povo haitiano e contra a ocupação militar no país. O ato organizada pela Conlutas, Intersindical, Consulta Popular, PSTU, P-SOL e diversas entidades dos movimentos sociais e do movimento negro defendeu a contribuçião financeira para as organizações dos trabalhadores no Haiti e a retirada das tropas da ONU  que reprimem o povo haitiano e do envio de 13 mil soldados norte-americanos após o terremoto.


Plenária Unificada lança Congresso Nacional dos Trabalhadores

No segundo dia do FSM em Salvador, a Conlutas, Intersindical, MTL, MTST, Anel, entre outras organizações construíram a Plenária Nacional pró nova central  que contou com a participação de mais de 300 ativistas. A plenária não foi deliberativa, mas lançou as bases para o futuro da reorganização do sindicalismo e do movimento popular e social do país. Nesse sentido, foi reafirmada por todos os presentes a convocação de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora para junho, que poderá fundar uma nova entidade, unificando os setores que se colocam à esquerda do governo Lula e da CUT. Entres as decisões da plenária foi votado por aclamação um plano de lutas que convoca atos unitários e classistas para o dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher), além do 1° de maio. O Plano inclui ainda a luta pelo aumento de salários, sem a retirada de direitos.

Debate sobre o Haiti reuni 500 pessoas no Teatro UNE

O Teatro da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) recebeu cerca de 500 pessoas na manhã deste domingo, 31, último dia do FSM em Salvador, para discutir “Haiti: ação humanitária ou ocupação militar – a luta do povo haitiano”. A mesa contou com a participação de Zé Maria de Almeida, da Conlutas, Elias José, do Quilombo Raça e Classe, Julio Condaque, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU,a estudante Ilze, da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) e do ativista haitiano Frank Seguy e o estudante Otávio Calegari, que estava no Haiti no momento do terremoto.

Zé Maria retomou o histórico da Conlutas na luta contra a ocupação militar do Haiti pelas tropas da ONU. Para ele, a campanha contra a ocupação tem de continuar: “a ajuda tem de ser associada à intensificação das denúncias do papel da ocupação militar no Haiti”.
Otávio, que esteve no Haiti durante o terremoto, relatou a solidariedade do povo, lutando com suas próprias mãos por comida e água e para resgatar os corpos. Sobre as multinacionais, Otávio denunciou o papel que cumprem, superexplorando a barata mão-de-obra haitiana. Como exemplo, citou uma empresa coreana do ramo têxtil que exporta, principalmente, para os Estados Unidos e para o Canadá. Inclusive, afirm,ou que as doações de roupas que chegam dos EUA para o Haiti  como ajuda são dessa fábrica, ou seja, os haitianos recebem como doação a roupa usada que eles mesmos fabricaram.

Há dois anos vivendo no Brasil, o haitiano Frank Seguy opinou que a tragédia do terremoto e suas vítimas foi uma construção sócio-histórica. Denunciou, ainda,  papel perverso da Minustah, principalmente do Brasil à frente das tropas. O governo brasileiro, segundo ele, se aproveita da identificação do povo haitiano com os brasileiros, sobretudo pelo futebol. Para terminar, Frank denunciou o papel do FMI, que diz querer ajudar na reconstrução do país. Na verdade, a falsa ajuda do Fundo nada mais é do que um empréstimo que vai elevar a dívida externa e ampliar ainda mais a dependência com o imperialismo. “Só os trabalhadores podem ajudar”, concluiu.

Marcha encerra Fórum Social Mundial em Salvador

No ato de encerramento do Fórum Social Mundial Temático da Bahia participaram centrais sindicais como Conlutas, CTB, UGT e CUT, além do MST. O Bloco da Conlutas se diferenciou do tom governista e da despolitização  da marcha. Com faixas e palavras-de-ordem, denunciou a ocupação militar do Haiti pelas tropas do ONU comandadas pelo Brasil e a retirada de direitos no Brasil.A coluna da Conlutas decidiu não se juntar ao restante do Fórum até o final da marcha, finalizando o ato de forma independente ainda no meio do percurso.
Fonte: ADUNEB


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